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Reflexões informais sobre o trabalho de Maria Flávia ...apresentado em 27/02/2014

Por Laura Belém

(isto não é uma crítica!)

Impressionou-me a delicadeza das esculturas  tecidas de uma maneira tão orgânica. Não sei se são formas que imitam a natureza ou se nela se inspiram, ou se derivam ainda de um repertório mais subjetivo, individual,traçado pelos anos de trabalho com a moda e pela sua desconstrução. Não importa fica na memória uma articulação muito sofisticada entre os materiais e as possibilidades das tramas, das cores austeras e puras, e dos acabamentos esses às vezes muito bem deixados 'em' aberto, por se completar, uma beleza no estilo Wabi- Sabi, que incorpora a imperfeição e a transciência na perfeição. Penso que a instalação desses objetos -a sua disposição no espaço e o diálogo entre eles deve ser algo muito bem pensado nesse trabalho, para que o orgãnico revele-se em sua plenitude,com escolhas racionais tão bem articuladas que se tornam, para o público, imperceptíveis e também orgânicas. Como é a instalação desse trabalho? E quais os seus possíveis desdobramentos?


Terra, flores secas, pó de minério, alumínio, areia, aço, fios de algodão e de cobre são alguns dos materiais que a criatividade de Maria Flávia
transforma em objetos, esculturas,móbiles e pinturas. Obras que através de um trabalho de pesquisa contínuo ganham energia e magia
nas mãos da artista e constroem seu pensamento poético: um diálogo denso e suave com a natureza, com a vida.


"Celina Albano"

Maria Flávia revela sensibilidade toda especial para o trabalho com materiais de uma sutileza que enternece não só o gesto da artista,
mas também o olhar, o tato e o prazer do espectador, comovido com essa descoberta. Filamentos urdem a trama.
O ato de criar se rende à renda e enreda o inesperado na rede de sensações em que se percebe a arte em plena comunicação.
Há uma tênue tessitura de teias, labor lavor de finos fios, transparências na translúcida e paciente construção de formas novas,
tocadas de encantamento. As linhas que se enrolam, desnovelam e desvelam. Liberdade e paz atravessam os nós em busca do azul.


"Angelo Oswaldo"

Insetos Incertos Rumos

O Universo foi feito à mão e patas.
Nas areias das praias nascem,
Estrelas do Mar.
Mãos tecem estrelas de algodão.
No céu brilham estrelas,
Na terra, insetos estrelas,
Brilham na escuridão.
Pés, patas, garras socam nosso chão.
Minúsculas patinhas,
Abrem túneis à exaustão.
Nos ares ruflam as asas,
Nos mares as barbatanas.

"Maria Flávia"

Insects Uncertain Routes
VERSÃO:  Thais Queiros Mattoso Valle

The Universe was hand and paw made
On the sands of the ocean
Starfish are born.
Hands weave cotton stars.
Stars in heaven shine,
Star insects, on earth,
In darkness shine.
Feet,paws,claws thump our ground.
Tiny little legs,
Open tunnels till exhaustion/
In the air whir wings,
In the oceans whir fins.

 

Insects Incertain Routes

VERSÃO:  Thais Queiros Mattoso Valle

L'univers etait par mains et pattles fait
Dans le sable de la plage
Naissent les étoiles de mer
Mains étoiles de coton tissent
Brillent les étoiles au ciel
Sur la terre, insectes étoiles
Brillent dans le noir
Pieds, pattes, griffes, creusent la terre
Toutes les petites pattes
Creusent trous sens s'abattre
Les ailes eclatent au ciel
Les nageoises dans la mer

 




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